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domingo, 23 de março de 2014

Piloto Automático



Eu me surpreendo comigo, eu ainda me assusto... eu quase sempre quieta, com a fama de arrogante no bairro onde moro, com a fama de capitão nascimento nas empresas por onde passei, com a fama de palhaça entre amigos mais íntimos, com a fama de ex namorada inesquecível para os ex que ficaram para trás, Ranger Branca, Carmen Sandiego para o Felipe Dior, Naty para tanta gente que escreve meu nome errado com H, fama de tagarela, vendedora infame ...famas, embalagens que pouco me servem, quando eu só sou intensa demais e não há quem dê jeito nisso. Sofro dores que não são minhas. Vibro com alegrias que não me pertencem. O bom de tudo é que, toda noite antes de dormir, eu sei exatamente quem sou.
Se eu fosse adotar toda marca que me é atribuída eu surtaria...
mas Natália sendo Natália já tá de bom tamanho. 


Ser você nunca é fácil, sem manual...no piloto automático.

Tá bom eu confesso, que não tem muito o que confessar...

Quanto tempo a gente leva pra deixar as feridas se fecharem ali dentro do coração? 
não existe receita de como não errar, de como não sofrer ... simplesmente, passamos por tudo o que precisamos passar.
E quando digo precisamos, é por que trata-se de uma regra geral : todo mundo no mundo sofre e sente dor.
Mas tudo passa e o momento ruim passa, a lágrima seca, as palavras findam, as cores mudam, os móveis são trocados, os empregos são trocados, os medos são substituídos,as paixões são reformuladas e você...você é só mais um metamorfose ambulante acompanhando tudo isso
 (ou ficando louco com tudo isso rs)
E eu passei por isso tudo. 
Passando ainda por tudo, e claro que o medo de viver o dia a dia está ali na sombra dos meus passos, eu vou levando a vida como deve ser...ou como pelo menos imagino que deve ser.
Mudei o nome do blog (durante todos esses anos foi Tá bom , eu confesso!)  agora eu quero me guardar em segredos, me deixar na caixa da duvida, não vou me doar de graça ou livremente, não vou confessar ...não vou confessar nada.
Eu quero a sorte de rir de algo que ninguém mais ri, de lembrar aquilo que não deveria lembrar, a boa e velha sorte de dar beijos de amor sem amar, de não rotular ou nomear sentimentos e ações e me dar essa gostosa liberdade de apenas ser eu ...toda errada e inconclusa, toda inusitada e surpreendente.
Então ouse! me coloque na cadeira elétrica, me torture... faça o que achar melhor , mas saiba desde já:
Eu não vou confessar! não vou confessar nada...
"E no seu apartamento
Ela se esquecia de tudo
Não havia contratempo
Ela segurava o seu coração
E largava as roupas pelo chão"