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domingo, 23 de março de 2014

Gatinha

Nunca gostei de ser chamada de gatinha, exceto pelo meu pai, esse podia ... sempre pensei que esse era o apelido oficial do meu pai para mim, não poderia ser usado por mais ninguém...o todo poderoso pai reinou e reina como principal homem da minha vida.
Ele me colocava no colo e cantava 'Gatinha Manhosa' do Erasmo Carlos e eu achava um luxo...mas cresci e achava  estranho, me soava estranho um homem me chamar de "gatinha", na escola me lembro de um fato em que um paquera na fila da cantina gritou " quer coca cola gatinha?" ...naquele exato momento pensei : "quem esse cueca pensa que é pra me chamar assim? com tanta intimidade?!"
Passou o tempo, e esses dias atrás fui chamada de gatinha novamente, estranhamente achei legal, tenho idade para ser uma tigresa (risos) talvez seja por isso que tenha curtido tanto um apelido tão doce, meigo ...que me remete á infância e me tira da realidade (dura e linda) de ter quase 30 anos.
Gatinhas são seres especiais na vida de um homem, gatinhas tem direito a mimo, a colo, a dengo...
Gatinhas são o ar da vida desses homens, eu sei ...sou tudo isso para meu pai.
Então ontem fui chamada de Gatona... promovida á chefe dos felinos (risos)
Na ocasião em que outra gatinha entrava em cena, sem rivalidade no mundo dos felinos, achei ela parecida comigo, ela tem um homem apaixonado por ela... que sorte! Ela é especial...
eu sou especial,
meu pai é especial
e o pai dela ...é especial também.
Felinos não reconhecerás...



terça-feira, 31 de julho de 2012

Filha da Digna



Assisti à reunião da escola preocupada com a hora. A gerente já avisou sobre os meus atrasos. Ainda tenho que chegar em casa, tomar banho e viajar durante duas horas até o trabalho. Mas não deixo de ir às reuniões. A escola me emociona. Principalmente quando falam da minha filha.

Nunca esqueço de como foi difícil reconquistar a guarda de Mariana, das coisas que ouvi na audiência, da vigilância até hoje, com visitas da assistente social e entrevistas no fórum. Cheguei a ficar sem ela por mais de um mês depois de tudo que inventaram sobre mim.

Assim que Mariana nasceu, tentei trabalhar como doméstica. Chegaram a me aceitar, mas não durou uma semana. Além do choro, que irritava a patroa, eu não conseguia completar as tarefas, tinha de amamentar e cuidar do bebê.

Além da juras de amor e das promessas de antes, o pai de Mariana nunca deu nada. Tinha mulher, filhos e uma militância religiosa que não podia ser manchada por filhos fora do casamento. No início pediu silêncio e prometeu ajuda material, desde que fosse em segredo. Durante três anos vivemos de doações porque a ajuda não chegava ou era insuficiente. Como eu telefonava pedindo ajuda, ele passou às ameaças e chegou a me agredir.

Com o escândalo, não havia mais aparências morais ou religiosas a proteger e o distinto mas vingativo senhor resolveu me tirar a filha. Uma farsa foi montada com depoimentos de várias pessoas que garantiram meu envolvimento com drogas e a presença de pessoas suspeitas na minha casa. Mariana, aos berros, foi entregue ao pai na sala de audiência.

Eu quis me matar mas não deixaram. Vivi de choro, calmantes e crises por um mês. Mariana também chorava, não falava e não comia. Depois não abria mais os olhos. O pai levou ao médico, que disse que ela ia morrer se continuasse assim. Ele voltou ao fórum e desdisse as mentiras. Fui chamada e me devolveram Mariana.

A pensão era uma miserável parcela de um miserável salário-mínimo, que foi quanto o pai disse que ganhava. A comida acabava ainda no início do mês. Foi quando vi o anúncio no jornal. Desconfiei do anúncio — muito dinheiro. Desconfiei, mas fui.

Não posso reclamar do trabalho. Agora Mariana não passa mais fome, tem roupa, tem escola e um sorriso lindo. Ruim é a gerente. Ela não trabalha mais, só manda. Parece que nunca trabalhou, persegue as meninas, e multa. Qualquer atraso nosso ou reclamação de cliente, é multa. Alguns clientes não são ruins. Conversam e me tratam como gente.

No trabalho tenho outro nome — um nome de trabalho. Não. Não foi isso que sonhei. Eu queria ser professora. Mas minha filha vai ser.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Filho II

menos mulher, querendo que o sangue não desça pelas minhas coxas, querendo que os ovúlos corram pelo meu ventre e o pedido..
.-faça-me um filho
 querendo o eterno , o infinito
 o laço sagrado, matriarquico
 o que é certo, lei da vida
 mulher gera, ama, procria e cria
 então não me negue o pedido
faça me um filho
 e não me faça um só
 faça 2, 3... faça completa o que vazia é
 mesmo quando dizem que seca daqui nada brotará
 e eu preciso que desse pé saiam laranjas, limas, uva, cajá, cajú...e flor.
 eu preciso que de mim provenha a vida
 por mais negada que ela seja
 por mais sacana e vadia que ela tenha sido
 é minha parte do trato...eu peço e tu me dá!...me dê um filho.
 Não peço um orgasmo, não peço uma transa...eu quero ser cheia, plena, quero ver a pele esticar, elasticar
 envolver
 acobertar
 e se preencher de um ser
 Ser esse que amo
 amo sem conhecer
 amo sem conceber
 amo sem saber se poderei um dia ter o prazer de tê-lo dentro de mim
 mas já o amo...por que engravidei dele em emoção , em paixão, em amor ...
 do individual
 do psicopatologico
 do esquizofrenico amor freudiano
 eu sei...
 eu amo incondicionalmente
 aquém não posso ter
 Então olhe em meu olhos
 e realize meu singelo desejo
 daí me filhos!
 as  como Ana ...no velho (novo) testamento ... me engravida
 Não quero sangrar 9 meses... quero que dê mim saiam lágrimas, suor e leite...
 eu quero...
 e eu preciso
 Se
 podes?
 podes...

 Senhor, meu Pai...daí me filhos...senão morro.
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O filho

Ela ajeitava o vestido, era o que ficava melhor e mais confortável.
Olhou-se no espelho...os 8 meses passaram rápido.



-papai tá demorando ... hum, vou cantar pra você!
Ela conversava com a barriga enquanto esperava seu marido para a ultima consulta antes do parto.
Ele chega ofegante:
- desculpa meus bebes! poxa, desculpa a demora! corri , saí correndo do trabalho, mas taí mesmo assim
atrasado! huft!
Beijando sua amada e a barriga já bastante saliente.
-Tudo bem , a gente tá se divertindo aqui!
Disse ela radiante...linda, plena, mulher e mãe.
Ele sorri, olha pro quarto do bebezinho já montado, ela ali de vestidinho, doce e tão iluminada.
-Minha amada, tá linda!
Ela o abraça:
- te amo, estou ansiosa, feliz que chego á ter medo...de tanta felicidade!
Ele sorri:
- Não precisa ter medo de nada, nem de ser feliz...primeiro por que te protejo de tudo e segundo por que te
prometi isso lembra?
Ela:
- o que?
Ele:
- que te faria feliz...
Ele a beija, beija a barriga a toma pela mão...
- Vamos?
Ela:
- vamos!
Saem mais iluminados que o sol.
E aquilo era só o começo.